Segunda-feira, Outubro 05, 2009

Praxar ou não praxar… eis a questão!

Todos os anos se questiona a utilidade da praxe, as suas motivações e o seu verdadeiro lugar na cultura académica.
Na minha opinião, a praxe é boa e recomenda-se. Contudo, como em tudo na vida, a praxe deverá ser aplicada de forma divertida, moderada e inteligente.
A cultura da praxe no plano académico terá, muito provavelmente, começado com a instituição dos primeiros estudos superiores em Portugal, então chamados à época de Estudo Gerais. A praxe, a boémia, o barulho provocado pelos estudantes nas suas “reuniões nocturnas” e as queixas frequentes da população foram algumas das motivações para a mudança de local dos Estudos Gerais que se encontravam em Lisboa para Coimbra. Esta mudança teria como resultado a fundação da Universidade de Coimbra, a mais antiga do país.
A praxe, importa dizer, não é mais que um ritual de iniciação, acolhimento e integração que se pode manifestar sobre diversas formas. A praxe é utilizada no meio académico como ritual de integração, mas não é exclusiva deste meio. Em diversos grupos sociais a praxe é utilizada como um meio dinâmico e activo de integração, destacando-se os exemplos neste campo do mundo militar, do desporto e das artes.
Cabe a quem praxa e a quem é praxado ter sempre presente uma máxima irredutível: a da dignidade da pessoa humana. Uma praxe que humilha, que exclui, que maltrata, que violenta, que é anti-pedagógica, que não integra, não é praxe. Não pode ser chamada como tal. Funciona com um efeito contrário e produz consequências potencialmente traumatizantes.
A praxe só é praxe se praxante e praxado actuarem de mutuo acordo e retirarem da mesma um efeito positivo e atractivo. Ninguém deve de ser pressionado a praxar e a ser praxado, pois cabe a cada um e à sua consciência aplicar valor a este ritual de iniciação. Caso praxante e praxado se sintam instigados, ofendidos e pressionados, os mesmos deverão recorrer às instancias competentes, privilegiando a dignidade da pessoa humana e a uma aplicação saudável da praxe.
Praxar sim, mas com sentido de responsabilidade, de educação e do respeito pelos valores culturais e éticos de cada um…

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