Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Afinal, quem foi Narciso?!

Narciso é, antes de mais, uma figura mitológica da cultura greco-romana cujo nome ficou imortalizado pelas várias versões que proliferaram sobre a história da sua vida.
A cultura greco-romana, apesar da multiplicidade de versões que apresenta, aponta Narciso como um símbolo de auto-admiração, beleza, orgulho e vaidade. Regra geral, Narciso é visto como um rapaz de grande beleza que, após observar pela primeira vez o seu corpo reflectido na água, se apaixona. Assim, na tentativa de ver com maior proximidade e tocar o seu próprio reflexo desequilibra-se e cai, afogando-se. Em sua honra, no local onde Narciso caíra, a mãe natureza fez crescer uma frágil mas bela flor, o Narciso.
Contudo, Narciso foi também um antigo bispo de Jerusalém que terá nascido no século I. Narciso, ou S. Narciso, como é mais correcto designar neste caso, destacou-se pela sua humildade, simplicidade e pela sua vida austera e penitente. Relativamente a este santo pouco se sabe. Segundo alguns registos, terá presidido com Teófilo de Cesareia a um concílio onde foi aprovada a determinação para se celebrar sempre a Páscoa num Domingo.
Da sua vida contam-se algumas lenda e milagres, sendo as mais interessante as que agora vos apresento:
«Eusébio narra que em certo dia de festa, em que faltou o óleo necessário para as unções litúrgicas, Narciso mandou vir água de um poço vizinho, e com a sua bênção transformou-a em óleo. Conta também as circunstâncias que levaram Narciso a demitir-se das suas funções.
Para se justificarem de um crime, três homens acusaram o Bispo Narciso de certo acto infame. "Que me queimem vivo - disse o primeiro - se eu minto". "E a mim, que me devore a lepra", disse o segundo. "E que eu fique cego", acrescentou o terceiro. O desgosto de ser assim caluniado despertou em Narciso o seu antigo desejo pelo recolhimento e, por isso, sem dizer para onde ia, perdoou os caluniadores e saiu de Jerusalém em direcção ao deserto. Considerando-o definitivamente desaparecido, deram-lhe por sucessor a Dio, ao qual por sua vez sucederam Germânio e Górdio. Todavia, os três caluniadores não tardaram a sofrer os castigos que em má hora tinham invocado, pois o primeiro pereceu num incêndio com todos os seus, o segundo morreu de lepra e o terceiro cegou à força de tanto chorar o seu pecado.
Alguns anos depois, Narciso reapareceu na cidade episcopal. Nunca tinha sido posta em dúvida a santidade do seu procedimento. Por isso, foi com imensa alegria que Jerusalém recebeu seu antigo pastor. Segundo diz Eusébio, continuou Narciso a governar a diocese até a idade de 119 anos, auxiliado por um coadjutor chamado Alexandre.
Faleceu cerca do ano de 212


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