Peço desculpa a todos quanto este Blog (ou Blogue) lêem por bater novamente na mesma tecla, mas não consigo parar de me insurgir perante aquilo a que se chama Desporto em Portugal.Poderia ser drástico e dizer simplesmente que não existe verdadeiramente desporto em Portugal, com excepção feita ao nosso querido Futebol, que tantas “alegrias”, “conquistas” e “troféus” internacionais tem conseguido conquistar para a pátria de Camões. Mas não vou entrar por aí. Seria o mesmo que dizer que, muitos como eu, não existíamos. Que o Hóquei em Patins, o Atletismo, a Natação, o Ciclismo, o Basquete, o Andebol, o Voleibol e tantas outras modalidades, por esta perspectiva, também não existiam.
Bem, mas a verdade nua e crua é quase esta. Em Portugal, modalidades profissionais só o Futebol. As restantes, designadas “carinhosamente” de “amadoras”, sobrevivem de pequenos subsídios e de patrocínios miseráveis que autarquias e algumas empresas “caridosamente” ainda vão ofertando.
É certo que nestas modalidades também existem “profissionais”, mas até mesmo estes encontram dificuldades em obter apoios e estruturas/infra-estruturas de apoio à modalidade que praticam. Não são raros os casos de atletas de “top” que se vêem obrigados a partir para outros países, nomeadamente Espanha, afim de optimizarem o seu rendimento.
É uma questão, na sua essência, de falta de cultura desportiva. Os média anunciam programas desportivos com toda a pompa e circunstancia, contudo de desportivos tem muito pouco. Num programa de 60 minutos dispensar os últimos 5 para a actualidade desportiva, não é, convínhamos, de grande desportivismo.
Os clubes, também eles, tendem a esquecer-se da sua essência ecléctica em detrimento de investimentos mais avultados num futebol cada vez mais falido. Quando se diz que as secções como o Hóquei, o Andebol e outras, devem ser auto-suficientes e auto-sustentadas, é verdade. Deveriam de o ser, mas não o são, nem o vão conseguir ser num futuro muito próximo. Como o poderão ser se nem os próprios clubes, a quem estas secções pertencem, se interessam em divulga-las, dinamiza-las e promove-las?! Até o Hóquei, modalidade em que já fomos os melhores do mundo, já não passa na televisão. Não são raros os casos de equipas que desaparecem por falta de apoios. Um caso exemplificativo e bastante curioso foi o da Fundação Nortecoope, que decidiu acabar com a sua secção de hóquei feminino (este ano foram novamente Campeãs nacionais e conquistaram a Final Four) alegadamente por falta de apoios e de alguma indefinição na modalidade. Assim se acaba com a melhor equipa de hóquei feminino nacional. Mas não interessa a ninguém… temos o futebol…
Quando os nossos atletas conseguem óptimas classificações internacionais, incluindo títulos, basta muitas vezes que apareçam nos rodapés dos telejornais para se dizer que o assunto foi divulgado. Ou então, basta que apareçam nas últimas páginas dos jornais “desportivos” para que não caiam no esquecimento.
Impõem-se agora a pergunta: Será a Espanha melhor que nós?! Não o é certamente, mas os recentes títulos nas mais variadas modalidades não aconteceram por acaso. Denotam investimento e estratégia naquilo em que nós não o fazemos. Os seus atletas são acolhidos como “heróis” e os nossos são como “alguém que fez alguma coisa, mas que não interessa”…
Não podemos ser assim tão limitados. Mesmo para quem gosta de futebol, como eu, se torna enjoativo a forma como as outras modalidades são tratadas no nosso país.
Num país que se diz democrático, parece que o 25 de Abril ainda não chegou ao desporto nacional…
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