Terça-feira, Setembro 28, 2010

O eterno problema do mar…

Hoje, como ontem, voltamos a olhar para mar como um elemento atractivo, de expansão e de riqueza económica.
Se durante muito tempo nos esquecemos ou quisemos esquecer a inevitável ligação que temos com o mar, o facto é que ele esteve sempre presente.
É certo que territorialmente somos pequenos, cerca de 92 090 km², mas não nos podemos esquecer que Portugal tem uma Zona Económica Exclusiva (Z.E.E.) com1 727 408 km², a terceira maior da União Europeia e que brevemente será alargada.
Esta posição estratégica com a qual fomos naturalmente brindados não tem sido encarada com o sentido de responsabilidade e oportunidade que logicamente mereceria.
Vemos frequentemente as nossas praias mal tratadas, as nossas marinas sem manutenção e os nossos portos/estaleiros subaproveitados.
Um país com uma economia fragilizada como a nossa não se pode dar ao luxo de desperdiçar tais recursos. O mesmo diria do vento e do sol, cuja “utilização” ainda ficam aquém do necessário.
É necessário dar uma nova vida à nossa Z.E.E., promovendo-a e protegendo-a. É necessário também dinamiza-la e torna-la atractiva perante investidores nacionais e internacionais.
Contudo, vejo com alguma preocupação esta urgência repentina em querer desenvolver à pressa a nossa Z.E.E. como se de uma galinha dos ovos de ouro se tratasse.
A impaciência e a falta de visão estratégica para o futuro podem trazer consequências demasiado danosas para o país.
Um positivismo excessivo sobre esta questão poderia levar a uma exagerada onda de confiança. Criar expectativas difíceis de concretizar pode levar a graves problemas económicos e sociais. Esta situação poderia ainda implicar uma desertificação massiva do interior em que o principal destino seriam as zonas do litoral demasiado inflacionadas pelas expectativas criadas.
Devemos olhar para o mar como mais uma oportunidade e não como um poço de problemas futuros. Gerir com assertividade os nossos recursos é fundamental para uma economia mais independente e reforçada, onde não tenhamos que viver aterrorizados sobre as directivas vindas da Europa.

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