Antes de mais, este é um artigo de alguém que gosta de juntar o prazer de comer à boa e tradicional cultura gastronómica portuguesa.
Assim convém esclarecer os menos entendidos que, na sua origem, a verdadeira Alheira não leva carne de porco, mas sim carnes “brancas” provenientes de aves e coelhos (podendo ser de caça ou não), pão e, alguns casos, vitela.
A história deste produto gastronómico leva-nos ao tempo da Inquisição. Num tempo em que existia a distinção entre “cristãos novos” (membros de outras religiões convertidos ao cristianismo) e “cristãos velhos”, a perseguição aos recém-convertidos era enorme e qualquer “coisa” servia para os denunciar, acusar e entrega-los às malhas da “santa” Inquisição.
A carne do porco era uma das bases da alimentação da população e como tradicionalmente os Judeus não comem carne de porco, a ausência de fumeiro denunciava a falsa conversão. Assim, era fácil perceber se alguém se tinha convertido unicamente por conveniência e acusa-lo. Contornando este pressuposto, os Judeus criaram o seu próprio enchido a que lhe deram o nome de Alheira, talvez pela utilização com alguma abundancia do alho.
Com o tempo, a tradicional Alheira de origem semítica (judaica), em muito devido à sua popularidade e sabor, foi acolhida por toda a população cabendo aos cristãos a introdução de alguma carne de porco no produto primitivo.
Hoje, as mais afamadas são as de Mirandela, mas por toda a Beira Alta e Trás-os-Montes se fazem alheiras artesanais de excelente qualidade, mas que continuam a levar carne de porco.
Por isso deixo aqui o convite… porque não regressar às origens e dar uma nova vida a este produto tradicional?!…
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