Quando ainda se comemora efusivamente o centenário da Primeira República, convém deixar bem claro que neste momento nos encontramos numa Segunda República e não, como alguns querem fazer passar, numa Terceira República.A Primeira República, como é do conhecimento geral, inicia-se em 1910 com a queda do regime monárquico em Portugal e o consequente exílio, em Inglaterra, da família real portuguesa.
Poder-se-á dizer que a queda de D. Manuel II se iniciou muitos anos antes da sua coroação. O país não estava bem em termos económicos, sociais e políticos e o culminar deste clima de instabilidade foi, sem dúvida, o regicídio, no qual seu pai, o Rei D. Carlos, e o seu Irmão e príncipe herdeiro, Luís Filipe, foram assassinados no Terreiro do Paço (hoje Praça do Comércio), em Lisboa.
Como se não bastasse a falta de preparação “base” de D. Manuel II para a arte de governar, o rei teve ainda que fazer frente à sua tenra idade e a todo um clima revolucionário e de hostilidade que se fazia sentir em Portugal e um pouco por toda a Europa.
Neste sentido, a Primeira República elevou-se ao mesmo ritmo que o Regime Monárquico foi perecendo. 1910 é, por isso, uma data histórica para ambas as partes. Para a segunda das partes, representa o peso enorme de observar um regime com cerca de oito séculos de história cair por terra sem ninguém para o acudir ou defender, para a outra, o início de uma nova fase com o espectro de muitas indefinições e incertezas.
Contudo, a Primeira República durará apenas 16 anos. Durante estes 16 anos houve 7 Parlamentos, 8 Presidentes da República e 45 Governos, o que espelha bem o clima de instabilidade vivido no país à época.
Em 1926 assiste-se ao fim da Primeira Republica e, consequentemente, a um interregno de cerca de 64 anos de republicanismo em Portugal, muito por culpa dos regimes ditatoriais (Ditadura Militar e Ditadura Salazarista – “Estado Novo”) que se estenderam até 25 de Abril de 1974.
Como um regime ditatorial é a antítese dos ideais promovidos por um regime republicano, este período de 1926 até 1974 não pode ser considerado um Segunda República.
Assim em 1974, com o fim do “Estado Novo”, dá-mos início a uma nova fase nos regimes republicanos em Portugal. Com a “Revolução dos Cravos” inauguramos a Segunda República que, depois da revisão constitucional de 1982, se transformou definitivamente no sistema governativo que hoje vigora em Portugal.
Respondendo finalmente à questão de partida, podemos dizer que, somando as duas repúblicas, temos aproximadamente 52 anos de republicanismo em Portugal. Ainda muito pouco…
1 comentários:
Um artigo muito bom, concordo plenamente contigo!
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