
Hoje é um dia histórico para o nosso sistema democrático. Como já diz o ditado popular, “há sempre uma primeira vez para tudo”. Pois bem, hoje é o dia em que pela primeira vez uma mulher assume o cargo e Presidente da Assembleia da República. Assunção Esteves torna-se assim, na segunda figura do Estado Português.
É com contentamento que vejo a ascensão de uma mulher a um cargo que até agora só foi ocupado por representantes do sexo masculino. Como já tenho referido em artigos anteriores, o valor das pessoas não se pesa pelo género, pela religião que professa ou pelo apelido que possui. As pessoas valem pelo que conseguem produzir, pela forma como enfrentam as situações e com a dignidade com que encaram a vida.
Em situações anteriores já manifestei o meu apreço por todas aquelas mulheres que, pelo esforço do seu trabalho e dedicação, conseguiram derrubar barreiras e enfrentaram os desafios de frente e com coragem.
Num artigo aqui escrito em 02/11/2010 intitulado “Mulheres ao Poder!” avançava com a possibilidade desta situação, mais cedo ou mais tarde, poder acontecer. A “brecha” deixada por Maria de Lurdes Pintasilgo fazia adivinhar que o panorama político poderia sofrer com o tempo francas transformações. O mote estava deixado e hoje a eleição da nova presidente foi o reforçar do estatuto político da mulher.
Espero que Assunção Esteves tenha a sorte e a audácia necessária para as funções que irá desempenhar. Com ela estarão as espectativas do Parlamento, do país e de todas as mulheres que, como ela, sonharam um dia poder mostrar o que tinham de melhor. O Parlamento não se vestirá de rosa certamente, mas a sensibilidade tipicamente feminina será importantíssima para apaziguar os mementos mais crispados que obviamente sucederão.
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